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Onde o debate morre: as comissões da Câmara que só existem no papel

Atualizado: há 6 dias

Você já teve aquela sensação de que as leis em Campinas brotam do nada, sem ninguém discutir direito? Pois é, não é só impressão. As comissões permanentes da Câmara Municipal — que deveriam ser o filtro técnico e social de cada projeto — estão funcionando no modo "soneca". Enquanto temas administrativos voam, os assuntos que realmente mexem no seu calcanhar (Saúde, Educação e Habitação) sofrem com uma epidemia de cancelamentos.


O Coração do Legislativo está com Arritmia


Em teoria, a comissão é onde o vereador senta, estuda o impacto de uma lei, ouve especialistas e, principalmente, ouve você. Na prática? O que vemos são reuniões relâmpago de cinco minutos feitas no cantinho do plenário, só para assinar papel e cumprir tabela. O debate real, aquele que deveria durar horas para decidir o futuro da Vila Padre Anchieta ou do Ouro Verde, simplesmente não aparece na agenda.


A Hierarquia do Desinteresse: O que os dados revelam


O levantamento é claro e escancara as prioridades da Casa:

  • As "Vips" (Finanças e Legalidade): Essas batem o cartão. Por quê? Porque sem elas a máquina burocrática para e os projetos não andam. São o "RH" da Câmara.

  • As "Invisíveis" (Saúde, Educação, Meio Ambiente, Direitos Humanos): Aqui o bicho pega. São justamente as que registram as maiores taxas de cancelamento e inatividade.


Ué, quer dizer que para aprovar verba de gabinete tem reunião, mas para discutir por que falta vaga em creche ou por que o BRT está atrasado, a agenda está sempre lotada?


A Democracia do "Carimbo"


Quando uma comissão não se reúne, o projeto vai direto para o plenário sem o devido amadurecimento. O resultado? Votações simbólicas, onde 33 vereadores levantam a mão em 30 segundos para aprovar algo que ninguém discutiu a fundo. É a política do carimbo: rápida para o parlamentar, mas rasa para o cidadão.


Cada reunião cancelada é um portão fechado na cara da participação popular. Se o vereador não se reúne para debater, ele está deliberando sozinho — ou pior, atendendo apenas a interesses que não precisam de luz pública para prosperar.


O Silêncio que custa caro


Campinas não se constrói apenas no asfalto, mas no diálogo. Uma cidade que não discute sua Habitação de forma séria nas comissões é uma cidade que empurra o problema das ocupações para debaixo do tapete. Uma comissão de Saúde que não funciona é cúmplice das filas quilométricas nos CSs.


A pergunta que fica para o seu vereador é: Se a comissão não se reuniu hoje, o que era mais importante do que discutir a nossa cidade?

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