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O Monopólio da "Misericórdia": as emendas parlamentares de campinas

Atualizado: há 6 dias

Fachada da Irmandade da Misericórdia de Campianas
Fachada da Irmandade da Misericórdia de Campinas

Enquanto o cidadão campineiro amarga filas no SUS e vê leitos hospitalares

fechando como se fosse liquidação de estoque, o dinheiro público em Campinas parece ter um GPS com destino único. Em 2024, a Irmandade da Misericórdia (que administra a Santa Casa) abocanhou nada menos que R$ 21,8 milhões via emendas parlamentares. O montante é tão bizarro que virou alvo de investigação do Ministério Público por possível desvio de finalidade. Afinal, é filantropia ou é exclusividade?


O "Dono" do Orçamento: O Caso Carmo Luiz

Se as emendas parlamentares deveriam pulverizar recursos para atender as diversas dores da cidade, alguns vereadores decidiram que a cidade só tem uma dor. O destaque — se é que podemos chamar assim — vai para Carmo Luiz. Ele destinou 73,65% de todo o seu orçamento de emendas para a Irmandade. São R$ 1,9 milhão que deixaram de ir para postos de saúde da periferia, cultura ou esporte para alimentar uma única estrutura.


A Matemática da Exclusividade

Não é só um caso isolado. O padrão de concentração é sistêmico e levanta um questionamento óbvio: quais são os critérios técnicos para tamanha generosidade? Veja os campeões de repasses em volume e porcentagem:

Vereador

Valor Destinado

% do Total

Carmo Luiz

R$ 1,9 milhões

73%

Otto Alejandro

R$ 1,393 milhões

50%

Nelson Hossri

R$ 1,297 milhões

47%

Marcelo da Farmacia

R$ 1,249 milhões

45%

No total, 10 dos 18 vereadores analisados elegeram a Irmandade como sua beneficiária "VIP". Em muitos gabinetes, o que sobra para o resto da cidade é apenas o troco.


Perguntas que a Câmara não quer responder


O discurso oficial é sempre o mesmo: "apoio à saúde filantrópica". Mas a realidade dos números impõe perguntas incômodas que o Minha Campinas não vai deixar passar:

  1. Cadê a transparência? Como esses R$ 21,8 milhões foram aplicados na ponta? A fila da cirurgia andou ou o dinheiro apenas tapou buracos de gestão da entidade?

  2. E as outras instituições? Por que hospitais e entidades que também atendem pelo SUS e operam no limite não recebem nem uma fração desse "carinho" parlamentar?

  3. Política ou Assistência? Com o Ministério Público investigando desvios, cabe perguntar: esse repasse massivo serve ao paciente ou serve à manutenção de currais eleitorais dentro das estruturas hospitalares?


A escolha é política (e o prejuízo é seu)


Cada real carimbado para a Irmandade é um real que não foi para a educação inclusiva, para a urbanização de favelas ou para o fortalecimento da rede básica de saúde. As emendas deveriam ser uma ferramenta de democracia participativa, mas do jeito que estão, parecem mais um duto de concentração de recursos.


A democracia exige que o dinheiro público siga as necessidades do povo, não as conveniências de quem assina o cheque. A investigação do MP é um passo, mas a fiscalização popular é o que realmente faz a estrutura balançar.


E você, concorda que quase 50% da verba de um vereador vá para um único lugar enquanto a cidade padece?

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